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VACINAÇÃO INFANTIL

Olá mamães! Lembra que eu falei que estava preparando um post sobre as principais dúvidas sobre vacinação? Pois é, ele ficou prontinho! Dr. Silas Rosa, Pediatra e proprietário da Clinica Porto Velho, onde Luísa está tomando suas vacinas, respondeu e esclareceu as dúvidas mais frequentes sobre o tema!

Olha só que maravilha!

1. Por que amamentar é bom durante a vacinação? O que acontece com o bebê?

Resposta: Quando a criança está sugando ela libera um neurohormônio chamado endorfina que diminui a dor. Além disso o aconchego no colo da mãe transmite segurança à criança. A sucção de uma chuca ou uma mamadeira também exercem algum papel mas a sucção da mama é mais efetiva.

2. Qual é a vantagem da terceira dose do rotavirus?

Resposta: As duas doses iniciais levam a uma resposta imunológica que chamamos de primária e que corresponde a uma proteção menos intensa. Quando se associa uma terceira dose a criança tem uma resposta secundária que é mais intensa e duradoura. As crianças que tomam duas doses podem vir a ter uma doença leve quando entram em contato com o vírus selvagem, o que raramente ocorre no caso de três doses.

3. Analgésicos antes ou após a vacina pode dar diferença no efeito das vacinas?

Resposta: Uma pesquisa apontou que a administração de analgésicos antes do gesto vacinal diminui a resposta imunológica, por isso não recomendamos que as mães os administrem previamente. Mas, após a aplicação da vacina se a criança estiver com dor (chorando…) ou com febre a administração do analgésico não diminuirá a eficácia da vacina.

4. As vacinas recomendadas para a região norte do país é a mesma para outras regiões?

Resposta: Basicamente sim. A única diferença é a indicação da Febre Amarela que só existe nas regiões endêmicas, isto é, em que o vírus circula. No passado esta diferença era grande já que somente as Regiões Norte e Centro Oeste eram consideradas endêmicas. Atualmente houve uma grande ampliação da área de circulação do vírus e praticamente todo o país tem indicação de administrar a vacina. Existe uma outra peculiaridade em relação ao Meningococo B cuja vacina é indicada em todo o país mas que tem especial importância para a Região Norte onde a frequência de casos é maior, provavelmente pela nossa proximidade com a América Central, onde este sorogrupo de meningococo é o mais prevalente.

5. Toda criança reage às vacinas?

Resposta: As vacinas hoje utilizadas são, em geral, muito efetivas e levam ao desenvolvimento de imunidade em quase 100% dos vacinados. Mas nós sabemos que sempre existe um pequeníssimo contingente que não responde, pessoalmente, às vacinas. Porém até estas crianças não responsivas se beneficiam com a maioria das vacinas quando aplicadas nas demais crianças, já que isto leva a uma diminuição na circulação do patógeno e, consequentemente, ao risco de o patógeno chegar à criança suscetível.

6. Várias vacinas dadas no mesmo dia compromete o sistema imunológico da criança?

Resposta: O nosso sistema imunológico específico, que reage às vacinas, é compartimentalizado. Isto significa que cada linhagem de linfócitos (células responsáveis por este sistema imunológico) responde a um tipo de patógeno e só a ele. Portanto, quando damos múltiplas vacinas em um só ato vacinal mobilizamos tantas linhagens de linfócitos quanto a quantidade de vacinas que administramos, sem sobrecarregar nenhuma delas, já que nenhuma ficará dividida entre responder a uma ou outra vacina. Portanto, não há inconveniente nenhum na aplicação simultânea de várias vacinas, exceto em um único caso: não aplicamos simultaneamente as vacinas de Febre Amarela e Tríplice Viral, contra Sarampo, Caxumba e Rubeola, porque esta prática leva a uma resposta diminuída à vacina da rubeola. O futuro da Imunização aponta para o que chamamos de vacinas combinadas, que nada mais são do que várias vacinas dadas conjuntamente em uma só aplicação. Um exemplo de vacina combinada é a vacina hexavalente para Difteria, Tétano, Coqueluche, HiB, Hepatite B e Poliomielite que já usamos hoje.

7. Posso espaçar ou atrasar algumas vacinas para meu bebê não tomar tantas em um único dia?

Resposta: Já dissemos acima que a prática simultânea de vacinas tecnicamente e cientificamente é viável. Outra questão que os pais questionam é se esta simultaneidade não aumenta a chance de eventos adversos (efeitos colaterais). A resposta aqui também é negativa: a chance de eventos adversos é a mesma se dermos as vacinas conjuntamente ou separadamente. Também aqui temos uma exceção: a simultaneidade das vacinas contra varicela e tríplice vital quando dadas conjuntamente, como primeira dose, na forma da vacina tetravalente viral, associa-se a uma ocorrência maior de eventos adversos que a sua aplicação separada (duas injeções) mesmo que dada no mesmo dia, embora este acréscimo da ocorrência de eventos adversos na aplicação combinada seja pequena e considerada desprezível por muitos. Adiar a aplicação de uma vacina para dá-la isoladamente em data futura também tem o inconveniente de conferir imunidade mais tardiamente e correr um risco maior de exposição ao patógeno selvagem. Por isso sempre defendemos que não se deve perder oportunidades: tão logo seja possível conferir proteção devemos fazê-lo mesmo com o inconveniente de várias vacinas na mesma ocasião.

8. O que acontece se eu esquecer ou atrasar algum reforço da vacina?

Resposta: A data programada para os reforços é o resultado da observação do comportamento da imunidade após a vacinação básica e geralmente corresponde ao lapso de tempo em que a imunidade adquirida anteriormente começa a declinar e necessita do reforço. Portanto, se o reforço está programado para uma data o atraso pode levar a um risco de aquisição da doença. Uma questão, no entanto, precisa ser esclarecida: não existe dose perdida de vacina dada anteriormente. Em nenhuma situação o atraso vai levar a ter que dar todas as doses da vacinação básica anteriormente já aplicadas. Se a criança tomou três doses de DTP no primeiro ano de vida e deveria tomar o reforço com 1 ano e 3 meses e deixar de fazer o reforço, em qualquer data posterior basta uma dose de reforço, sem necessidade de dar novamente as 3 doses da vacinação básica. Isto vale até mesmo para a vacinação básica que não foi completada. Por exemplo: a vacina de Hepatite B é dada em três doses em qualquer idade sem necessidade de reforços. Se a criança tomou duas doses apenas e, passados 5 ou 10 anos verifica-se a falta da terceira dose, não é necessário repetir as duas doses já tomadas: ela toma apenas a terceira dose que deixou de ser dada.

9. Posso levar meu filho para tomar vacina se estiver resfriado?

Resposta: Uma doença leve, como um resfriado, não é motivo para retardar a aplicação de vacinas. O resfriado comum é uma infecção de vias aéreas por um vírus como o rinovirus ou parainfluenza vírus. Portanto a resposta a esta infecção demanda a atuação de linfócitos especialmente destinados a imunidade contra eles que não são os mesmos que responderão às vacinas que serão aplicadas. Portanto, nem as vacinas prejudicam o resfriado, nem vice-versa. Nas clínicas privadas de vacinação não aplicamos vacinas quando as crianças estão com doenças importantes ou febris por uma questão de política sanitária, para preservar as vacinas de serem ¨responsabilizadas¨ por qualquer evolução desfavorável da doença que pudesse ser atribuída às vacinas. Na rede pública a questão deveria ser vista segundo um óptica diferente, analisando não só esta questão de boa política como também a questão da ¨perda de oportunidades¨. Como ponto de reflexão cito sempre em minhas aulas para alunos de Medicina um exemplo hipotético: uma criança que nasceu na Maternidade Municipal de Porto Velho e que lá tomou as primeiras vacinas e que retornou a sua casa na zona rural de Calama, vem a uma Unidade Básica em busca de consulta, com 7 meses de idade por uma doença febril. O médico que a atende constata que não tomou nenhuma vacina do primeiro semestre de vida. O que é mais importante: a política de preservação da vacina das consequências de uma evolução desfavorável da doença que a trouxe ou perder a oportunidade de aplicar as vacinas. Eu considero mais importante o segundo fator.

10. O que é vacina acelular que é usada na rede privada?

Resposta: Esta questão importa apenas em relação a vacina da coqueluche que é um componente da vacina DTP (componenete da penta hoje usada na rede pública brasileira). O ¨P¨desta vacina vem de pertussis que é o nome da espécie a que pertence a bactéria que causa coqueluche: Bordetella pertussis. A vacina usada na rede pública e que era a única disponível até a década de 1980 contém a bactéria inteira morta e isto é responsável pela grande frequência de eventos adversos. Uma em cada duas crianças têm um evento adverso como febre, dor local, vômitos, etc. Alguns desses efeitos são menos frequentes porém mais graves como convulsão e ¨dessmaio¨, que os profissionais chamam de episódio hipotônico-hiporresponsivo. Na década de 1980 surgiu uma nova vacina para pertussis que não tem a bactéria inteira mas fragmentos dela e que causa menos efeitos adversos. Esta nova vacina é chamada de acelular e referida nas suas referências pela sigla ¨Pa¨. Esta é a vacina que usamos na rede privada.

 

 

Silas Antônio Rosa – CRM 677-RO
Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, campus de São Paulo (Pinheiros), com título de Especialista em Pediatria e Medicina do Trabalho, Pós-graduação em Saúde Pública, Mestrado em Biologia Experimental e Professor de Pediatria da Faculdade de Medicina da FIMCA. Advogado (OAB 860-RO)

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